Ca’dore: A casa de ouro bucólica

No inverno cinza da cidade, os containers coloridos chamam a atenção de todas as tribos curitibanas para um lugar vanguardista em sustentabilidade e inovação.

Em uma mesa vemos um grupo de amigas brindando com taças de champanhe, na outra um casal de namorados dividindo a manta quentinha, perto de famílias em que um prova a comida do prato do outro. Este é o ambiente descontraído e acolhedor, cheio de gente bonita e pets felizes andando pelas calçadas da Ca’Dore. Um lugar onde o bom gosto e a criatividade reinam, combinados com
a bela arquitetura moderna e sustentável, unidos à gastronomia diversificada oferecida nos containers coloridos para lá de estilosos, cada qual com sua particularidade. Este espaço gastronômico apetece todos os paladares e vem conquistando a população curitibana.

Géssica Inês mora perto do local e não pensou duas vezes antes de visitar. Agora, é cliente fiel do Ca’Dore. A estudante conta que não foi fácil escolher o que comer e beber e que foi de container em container vendo os menus. “As pessoas são bonitas, educadas e o atendimento é ótimo, me conquistou”, elogiou. Géssica aconselha quem quiser aproveitar o espaço que é bom ter tempo, pois pode enfrentar filas, especialmente nos fins de semana. “Mas vale a pena, é muito gostoso”, afirma.

cadore

O nome Ca’Dore foi inspirado em uma região de lagos e montanhas ao norte da Itália (Lago di Valle di Cadore) e significa Casa de Ouro. Achilles Colle, Carlos Feliz e Roberto Kenicke são os sócios do projeto vanguardista. Eles eram amigos da época de faculdade na UFPR, quando estudaram engenharia agronômica. A descendência italiana veio da família Colle, que tinha um terreno em Curitiba e não perdeu tempo em driblar a crise econômica do país ao apostar na gastronomia. O maior impulso para a promoção do Espaço Ca’Dore foi a falta de serviços no bairro Bacacheri, uma vez que o setor econômico estava muito parado.

Curitiba é uma cidade muito europeia, foi precursora na parte de urbanismo no Brasil, é uma cidade muito crítica que merecia esse espaço. 

O arquiteto do projeto Ca’Dore, Bruno Colle, revela que o projeto tem inspiração europeia, devido à enorme presença de descendentes europeus em Curitiba. Ainda assim, o Espaço Ca’Dore é inovador e contemporâneo, buscando trazer uma experiência bucólica para a cidade grande. “Curitiba é uma cidade muito europeia, foi precursora na parte de urbanismo no Brasil, é uma cidade muito crítica que merecia esse espaço”, declara Colle. Para Bruno, um dos diferenciais do projeto é que não imita uma vila toscana ou desenho vitoriano, mas usa materiais da época dando novas funções aos mesmos. No inverno cinza da cidade, os containers coloridos chamam a atenção de todas as tribos curitibanas para um lugar vanguardista em sustentabilidade e inovação.

O projeto arquitetônico segue aspectos de certificação de LEED® de sustentabilidade com conceitos modernos e pioneiros no Brasil, com uma estrutura de inverno bastante moderna. A praça de alimentação a céu aberto conta com mesas grandes, para serem compartilhadas e promover a mudança na cultura do curitibano, considerado frio. Além disso, o espaço tem rampas de acessibilidade e banheiros adaptados. Ainda há a opção de delivery, que já está funcionando há um mês e futuramente ganhará aplicativo.

Os containers coloridos chamam a atenção por sua beleza e também pela sustentabilidade, segundo nome do arquiteto. “Um bom projeto de arquitetura deve ser sustentável”, afirma. De acordo com Colle, o container marca a época em que vivemos, de ter consciência em relação ao desperdício e o impacto que o ser humano causa na natureza. Depois de ser usado para transportar cargas, o container não tem mais vida útil, segundo normas de vigilância. “Estamos reaproveitando o container que seria desperdiçado ou teria um impacto maior para ser transformado em aço novamente. Reformamos e reutilizamos”, afirma.

São quarenta operações gastronômicas, incluindo um container kids, criando um ambiente para todas as idades, tribos e classes sociais. Os menus variam desde um lanche árabe rápido por R$ 2,50 a um prato de salmão com palmito de R$ 50. Sem contar as opções veganas, sem glúten ou sem lactose. “É muito acessível, democrático e inclusivo, até os cachorrinhos são bem-vindos”, diz Flávia Feliz, uma das responsáveis do espaço, com orgulho.

A Ca’Dore consegue comportar mil pessoas sentadas, e a chuva não é um problema. Existem espaços cobertos com capacidade para aproximadamente 400 pessoas, além de ombrelones externos. Flávia conta que o ambiente a céu aberto dá a oportunidade de ver o sol se pôr e a lua chegando, enquanto as pessoas se aconchegam nas mantas Daju para impedir que o inverno curitibano as mande para casa tão cedo.

Como o ourives refina o ouro para deixá-lo mais puro, Flávia e Bruno revelam que os próximos planos da Ca’Dore se resumem a melhorias no que já existe.

O arquiteto ainda sonha em implantar mais Ca’Dores em outros lugares. “Tratamos isso com muito cuidado e dando um passo de cada vez. Por enquanto, estamos muito satisfeitos com os resultados”, revela.

Serviço:

Ca’dore

Av. José Gulin, 105 – Bacacheri – Curitiba/PR

http://cadorecd.com.br/