Crossfit: Um estilo de vida para todos

“Cross”, em inglês, significa mistura e “fit” é a abreviação de fitness, que, por sua vez, significa bom condicionamento físico. No bom português ao pé da letra, Crossfit é um mix de bom condicionamento físico. 

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Ronize Araújo é praticante de Crossfit há um ano e quatro meses. Antes disso, fazia musculação durante os dias úteis e mountain bike nos fins de semana. “Agora no cross, me encontrei”, afirma, com um sorriso. Ela conta que, além de mudar o corpo e a disposição, o esporte é um estilo de vida. “Você acaba fazendo amigos que se tornam família, diferente do ambiente de academia, onde cada um faz seu treino e vai embora”, relata. No Crossfit, as pessoas se ajudam e estimulam como uma equipe. “Todo dia é um desafio e uma superação”, declara.

De acordo com especialistas, o Crossfit trabalha com três grandes grupos de atividades, que são o levantamento de peso olímpico, movimento de ginástica e movimentos metabólicos ou condicionadores. Marcio Oliveira é head coach do esporte e explica que as rotinas são feitas para desenvolver as dez capacidades físicas, a saber: força, potência, coordenação, precisão, velocidade, flexibilidade, agilidade, resistência, capacidade cardiorrespiratória e equilíbrio. Os espaços do Crossfit recebem o nome de “box” em vez de academia, pois a prática é feita dentro de antigos galpões ou espaços em formato de caixote.

O coach Marcos Rafael tem experiência de quatro anos e explica que a aula dura em média uma hora, contando com aquecimento, écnica e WOD (workout of the day, isto é, o exercício do dia). “A ideia do cross é ser uma pessoa saudável, ter condição de fazer qualquer movimento sem restrição ou lesão e se alimentar da melhor forma possível”, aconselha o instrutor. Para ele, o esporte é uma filosofia de vida.

A nutricionista esportiva Gabrielle Alcântara afirma que, pela alta intensidade e demanda enérgica do Crossfit, é preciso que o músculo seja cheio de nutrientes para sair do treino bem. Além disso, a hidratação e consumo de carboidratos tanto antes quanto depois do treino são essenciais para a boa recuperação. Gabrielle aconselha que todas as refeições mantenham proteínas e, ao longo do dia, algumas porções de lipídios. “Alimentos com alto teor de oxidantes ajudam nessa recuperação da lesão, então a gente tem frutas e verduras… Quanto mais intensa for a cor, melhor a escolha”, aconselha.

De acordo com o nutricionista esportivo Junior Cintrão, em alguns casos é importante considerar a idade e a presença de doenças específicas. Mesmo assim, esses fatores não impedem a pessoa de praticar, apenas de ter restrições na prática. E a rotina da modalidade pode diminuir essas restrições com os treinos. “No contexto geral pode ser praticado por todos, com o devido respeito aos seus limites”, orienta. O especialista revela que o Crossfit ajuda a promover melhorias no sistema cardiovascular e respiratório, além de causar perda de peso, ganho de força e desenvolver a resistência.

Cintrão adverte que é necessário ter uma alimentação equilibrada antes de qualquer atividade física. No pré-treino, a indicação é que se consuma alimentos com carboidratos de médio índice glicêmico, como é o caso da famosa batata doce, o macarrão, pão e arroz integrais. “Esses carboidratos vão evitar picos de insulina durante a atividade”, explica.

Caso esse cuidado não seja observado, a pessoa está passível de sofrer o processo de hipoglicemia de rebote, que é o desmaio por falta de força. Além dos carboidratos, as proteínas no pós-treino são indispensáveis para a promoção do aumento e equilíbrio de fibras musculares que sofreram estímulos durante o treino. Outro cuidado importante é evitar laticínios e se alimentar muito próximo ao treino. Além da nutrição, os especialistas alertam para a importância de um bom descanso. Cintrão esclarece que é no sono que o corpo se reconstrói, repara e promove estabilidade metabólica.

Segundo Gabrielle, a suplementação também é bem-vinda, desde que haja necessidade. “Ela é uma carta na manga que o nutricionista tem para melhorar a performance ou até mesmo melhorar o processo de recuperação desse paciente, mas não é obrigatória”, explica. De acordo com Cintrão, é possível atingir boas taxas de proteína na dieta, mas em alguns casos o uso de suplementos é indispensável. No entanto, é importante considerar uma boa orientação, do contrário pode haver problemas em vez de saúde.

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