Jejum Intermitente: Viver para comer ou comer para viver?

Jejum

O jejum intermitente é mais do que uma dieta alimentar. Quem adere à prática diz não querer parar jamais, pois se desapega da comida e tem mais tempo para se concentrar profundamente e se conhecer melhor. 

O jejum intermitente é um estilo de vida que vem ganhando muitos adeptos. A ordem é não comer. Calma, não pense que estas pessoas vivem da energia solar ou que é mais um modismo entre os artistas ou uma nova dieta maluca que te promete perder peso em três dias.

Jejuar não é de hoje. Há milhares de anos nossos ancestrais já praticavam o jejum intermitente, seja por escolha ou escassez de comida, pois não tinham a facilidade de encontrar e estocar alimento como fazemos hoje. O jejum desde sempre foi e ainda é praticado por diferentes culturas, civilizações e até mesmo considerado uma prática sagrada em inúmeras religiões, como no cristianismo, budismo e islamismo.

Atualmente, é um dos assuntos mais comentados no mundo da boa forma e do emagrecimento. Muitas pessoas jejuam não apenas para emagrecer, mas sim para melhorar a saúde, pois pesquisas científicas estão comprovando os benefícios que o jejum intermitente traz ao corpo e à mente e como esta prática pode ajudar viver mais e melhor.

A nutricionista Denise Turella, especialista em Nutrição Clínica, Metabolismo e Terapia Nutricional, afirma que o jejum intermitente é uma estratégia nutricional planejada juntamente com o nutricionista em que se programa um menor número de refeições diariamente, com um tempo maior de intervalo entre determinadas refeições, normalmente entre a ceia e o café da manhã.

Denise Turela revela que “o principal benefício é a diminuição da compulsão alimentar e, em consequência, o emagrecimento. Nas recomendações usuais de consumo de 3/3 horas, algumas pessoas podem apresentar vontade de comer compulsivamente, alguns pacientes confundem comer de 3/3h com “beliscar alimentos a todo momento”.

“O jejum intermitente, como resposta adaptativa, pode aumentar a sensibilidade de insulina, reduzir processos inflamatórios e diminuir o estresse oxidativo.”

Apesar de ser uma prática antiga, ainda existem vários mitos sobre o jejum intermitente. Pode comer o que quiser? O jejum diminui massa muscular? É proibido comer ou beber algo?

Denise Turela desvenda os mitos e diz que sim, que pode comer o que quiser, desde que a alimentação seja adequada: “Como em uma reeducação alimentar, sempre devemos priorizar alimentos naturais ou minimamente processados – a famosa comida de verdade, como legumes, verduras, frutas, tubérculos, carnes e grãos”. Denise aconselha a sempre evitar o consumo de produtos industrializados.

Quanto à perda de massa muscular, Denise Turela revela que apenas períodos de jejum muito prolongados e consumo irregular alimentar podem ocasionar diminuição de massa muscular. Já o consumo de chá,café e suco de limão estão liberados, desde que não seja adicionado açúcar ou adoçante.

“O jejum intermitente como resposta adaptativa pode aumentar a sensibilidade à insulina, reduzir processos inflamatórios e diminuir o estresse oxidativo.”

De acordo com a nutricionista Denise Turela, a prática do jejum intermitente não é recomendada para diabéticos, gestantes, lactantes, pessoas com alterações psíquicas e psicológicas. Porém, é uma ótima opção para “pessoas saudáveis, que já estão adaptadas a uma alimentação equilibrada, pois esta é uma alternativa para pacientes que não conseguem resultados com dietas convencionais, sendo recomendado a prática regular de atividade física para obter melhores resultados”.

A fisioterapeuta Priscila Guérios não estava obtendo o resultado desejado com a dieta “low carb”. Foi então que ela conheceu o jejum intermitente, em 2016. Desde então, perdeu 36 quilos e notou um ajuste em todo o seu organismo. Ela fez do jejum mais do que uma dieta, o transformou em um estilo de vida. Para ela, o início não foi fácil, “pois as pessoas não entendem as mudanças. Mas, quando fazemos algo que nos faz bem, temos que seguir o que nos faz sentir melhor”, revela.

Para a nutricionista Denise Turela, não existe uma frequência ideal para a prática do jejum, a determinação da frequência e tempo de jejum devem ser decididos após uma série de avaliações e acompanhamento profissional.

Há três meses, Rafael Boga pratica o jejum intermitente por 15 ou 16 horas diárias, cinco vezes na semana. Ele iniciou a prática com o intuito de melhorar a saúde e diz que desde que começou a jejuar sente-se menos cansado durante o dia e não tem necessidade de dormir por longas horas, como antes. Para Rafael, a adaptação foi a parte mais complicada. “O início é dificultoso pela grande fome, mas depois de cinco dias aproximadamente ficou mais fácil de administrar.”

Cássia Santos, 38 anos, também sente ter mais energia desde que iniciou a prática do jejum intermitente. “Não sinto o corpo cansado e tem sido muito bom”, relata a mãe de dois meninos, de 4 e 2 anos. Ela conheceu o jejum intermitente no início deste ano e acreditou nos benefícios que poderia trazer a sua saúde, aliando-o ao vegetarianismo. Além do mais, ela não acredita que o corpo precise de tanta comida. “Eu comecei a dar um descanso para o meu corpo e a fazer o jejum de 16 horas, três vezes na semana. Geralmente, pulo o café da manhã e me alimento na hora do almoço.” Ela dá uma pausa de uma semana por mês, quando está no período menstrual, pois é quando sente mais fome. Desde que seu primeiro filho nasceu, Cássia vem se preocupando em colocar opções mais saudáveis na mesa da família.

Mais informações:

Denise Turela, nutricionista em Curitiba, especialista em Nutrição Clínica, Metabolismo e Terapia Nutricional. CRN 8: 7357.
Avenida do Batel, 1700, conjunto 05.
Telefone: 41 99556-7746

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