Inimigo silencioso

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Segundo a Sociedade Brasileira de Mastologia, o câncer de mama é o segundo tipo de câncer que mais atinge mulheres ao redor do mundo, sendo superado apenas pelo câncer de pele. É um tema de difícil abordagem, mas é necessário falar abertamente sobre esta doença, pois a informação leva ao diagnóstico precoce e pode salvar vidas. O médico Filipe Vieira Kwiatkowski, cirurgião responsável pelo centro cirúrgico e oncológico do Hospital do Rocio, em Campo Largo, junto com sua equipe operam mais de dois mil casos de câncer por ano. Além de cuidar de cada paciente de forma individual, ele ainda encontra tempo para receber escolas e dar palestras, pois acredita que o apoio da sociedade é fundamental na luta contra o câncer. Hoje, o hospital conta com o serviço de capelania e tem parceria com faculdades de psicologia e musicoterapia, que fazem um trabalho significativo com os pacientes do setor oncológico. A capelania faz um trabalho muito bonito com crianças de várias idades com o objetivo de disseminar algumas ideias nestas crianças, como ajudar o próximo e viver uma vida saudável.

 

DAJU: Quais os sintomas iniciais apresentados pelo câncer de mama?
Dr Filipe Kwiatkowski: O câncer inicialmente é assintomático e na grande maioria dos casos nasce como um pequeno nódulo que vai crescendo até ser percebido pela paciente (nódulo palpável). Outros sinais e sintomas incluem a saída de secreção pelo mamilo, inversão do mamilo, retração da pele da mama, espessamento ou enrugamento da pele da mama, alteração no formato da mama e até mesmo sinais de inflamação (calor, vermelhidão e dor). A microcalcificação agrupada é um tipo de câncer que só se vê pela mamografia, por exemplo. Algo que eu sempre digo aos pacientes é que fiquem atentos aos sinais. Para isso, é necessário que conheçam o seu corpo, façam o autoexame e realizem os exames de rotina, pois assim é possível diagnosticar mais precocemente o câncer.

DAJU: A idade é um fator importante?
Dr Filipe Kwiatkowski: O câncer de mama é pouco comum antes dos 35 anos de idade e a incidência vai aumentando a partir dos 50.

DAJU: O câncer de mama também atinge homens?
Dr Filipe Kwiatkowski: O fator de risco para o câncer de mama é ter mama. O homem pode ter sim porque ele tem aréola, mamilo e tecido mamário, em menor quantidade. 1% dos pacientes com câncer de mama são do sexo masculino. E o tratamento é exatamente igual ao da mulher.

DAJU: Quais os fatores de risco para ter câncer de mama?
Dr Filipe Kwiatkowski: Existem fatores imutáveis, como ser mulher, histórico familiar de câncer de mama e a idade, por exemplo. E também existem os fatores que podemos modificar, como obesidade, sedentarismo, abuso de álcool e dieta pobre em vitaminas e fibras. Outro fator de risco importante é a exposição ao estrogênio. Mulheres que tiveram uma menstruação precoce ou menopausa tardia e nulíparas (pacientes que nunca tiveram filhos) são exemplos dessa condição.

DAJU: O histórico familiar aumenta os riscos da doença?
Dr Filipe Kwiatkowski: A maioria dos cânceres de mama é esporádico, ou seja, não têm origem genética. Aproximadamente 10% dos casos têm relação familiar. Quanto maior o grau de parentesco e mais jovem o indivíduo acometido, maior a chance de a doença ocorrer em familiar de primeiro grau. Por exemplo, uma senhora que teve câncer de mama aos 80 anos de idade representa menor risco para seu familiar de primeiro grau desenvolver a doença quando comparado ao familiar de outra paciente diagnosticada aos 40 anos. É muito importante iniciar o rastreamento com mamografia a partir dos 40 anos. Já as mulheres que têm histórico de câncer de mama na família de primeiro grau, a indicação para a mamografia é a partir dos 35 anos.

DAJU: Mulheres que optam pela reposição hormonal estão mais propensas a desenvolver o câncer de mama?
Dr Filipe Kwiatkowski: A exposição ao estrogênio é um fator de risco e a reposição hormonal também tem estrogênio na sua formulação, tornando-se assim um importante fator de risco. Sua indicação deve ser criteriosamente avaliada.

DAJU: Como é feito o diagnóstico?
Dr Filipe Kwiatkowski: O diagnóstico é feito por exame clínico associado aos exames de imagem, como mamografia e ecografia das mamas. Tendo a suspeita de um nódulo, deve ser realizada a biópsia e estudo histopatológico, que confirmará ou excluirá o diagnóstico de câncer de mama. Algumas mulheres com prótese de mama não podem fazer a mamografia e a ecografia não traz um resultado satisfatório, portanto precisam ser submetidas a outro tipo de exame, como a ressonância magnética.

DAJU: Com que frequência é necessário fazer o autoexame?
Dr Filipe Kwiatkowski: Diariamente. É interessante criar o hábito de fazer o autoexame no banho. O conhecimento do próprio corpo ajuda a identificar mínimas alterações. Entretanto, é importante ressaltar que o autoexame não substitui os exames de imagem.

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