Família, o bem mais precioso!

Suely Karsten Lorenz - Fundadora Lojas Daju

Ao andar pelos corredores da loja, a elegante senhora distribui sorrisos e atenção para todos ao redor. Clientes, funcionários e parceiros são sempre recebidos com gentileza e um olhar meigo, cheio de simpatia. Assim é a dona Suely Karsten Lorenz, que, junto com seu esposo, Robert Lorenz, fundaram a DAJU, há mais de 30 anos.

Em 1982, a farmacêutica-bioquímica estava com sua carreira estabilizada, trabalhando no laboratório Frischmann Aisengart, em Curitiba. Um belo dia, Robert chegou em casa decidido a mudar de profissão, pois não queria mais ser representante de portas e janelas de madeiras. Disse:

– Tive uma ideia brilhante, Suely: que tal abrirmos uma empresa parecida com a Avon, mas de cama, mesa e banho?

– Jamais! – falou Suely. – Amo demais o que faço.
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Nesta hora, Danielle e Juliane, pequeninas, corriam pelo jardim de casa. Lucilene, secretária da casa, também era uma ótima vendedora da Avon nas horas vagas. Vivia com os catálogos em mãos. Ela foi a inspiração. Robert acreditou na própria intuição empreendedora.
Pediu ao sogro, sr.
Ralf Karsten, diretor comercial da Cia. Textil Karsten, se ele poderia arrumar umas fotos e amostras de cama, mesa e banho da Karsten, Artex e Teka. O sogro quase enfartou. Com muita conversa, Suely concordou em abrir mão de um cômodo da casa. Ali, algumas horas da noite eram dedicadas à montagem de catálogos, feitos manualmente. A firma foi então constituída com o nome de DAJU – DA de Danielle e JU de Juliane, as primeiras filhas do casal. O primeiro pedido só encheu metade do quarto. Muito cheiro de tinta, vendedores caminhando pela casa toda, Dani e Ju correndo de um lado para o outro. Suely chorou muitas vezes querendo acabar com tudo, mas o marido não desistia da ideia.

Suely, além de ajudar no novo negócio familiar, continuava trabalhando no laboratório. Diversas vezes levou o catálogo para o serviço, mas o deixava dentro da gaveta. Não tinha coragem de mostrá-lo às amigas. À noite, o marido aguardava a sua chegada, todo ansioso, pois esperava pelo menos um pedido. Mas Suely nem sequer tinha mostrado um exemplar. Ele dizia: “Pense no leitinho da crianças”. Finalmente ela criou coragem e mostrou timidamente o catálogo para uma amiga, depois para outra e os pedidos foram surgindo. Ainda mais porque, naquela época, tecidos temáticos da Disney estavam em alta e foram um grande sucesso entre as colegas de trabalho.
Passados três anos, a família cresceu com a chegada dos meninos Ricardo e Roger.

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As vendas estavam cada vez melhores e a casa já estava pequena para o volume das encomendas dos 30 vendedores, mas eles não pensavam em se mudar. Até que, depois de voltar de uma viagem de fim de semana em Blumenau, encontraram a casa arrombada. Foi um susto enorme. Naquele momento, Suely decididamente declarou que a partir daquele dia as atividades da Daju estavam encerradas na sua casa. Não queria colocar em risco a segurança da família. No dia seguinte, sr. Robert já saiu em busca de um endereço comercial e encontrou um em pouco tempo, no Cabral. O ponto não era nada bom, tinha uma grande escada e na frente uma avenida em obras. Convidaram um casal, sr. Bubi e dona Vera, experientes na confecção de cortinas sob medida, e lá recomeçaram a Daju, com seis peças de tecidos. Robert, dona Suely e sr. Bubi atendiam os clientes e dona Vera costurava nos fundos. Foi um tempo de muitas dificuldades. Naquela época, conseguiam almoçar em casa e fechar a loja aos fins de semana.

Com o passar do tempo, a clientela foi aumentando e os negócios, crescendo. Puderam abrir então uma segunda loja, no bairro Seminário, onde ficaram muito conhecidos pelas belas cortinas feitas sob medida e também pela linha têxtil de banho, rosto, colchas e edredons. Além de uma equipe boa de vendedoras, tinham 10 excelentes costureiras que trabalhavam no subsolo da loja. O sucesso foi tanto que o espaço físico ficou pequeno, e foi preciso um imóvel maior e, principalmente, que tivesse um bom estacionamento. Foi então que conseguiram dar a entrada em um barracão transformado atualmente na Mega Daju no bairro Água Verde. A grande dificuldade encontrada no início foi definir o layout certo para a loja de 4.000m2. Em dez anos, a Mega Daju passou por diversas transformações e segue crescendo consideravelmente, em variedade de produtos e departamentos.

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No início dona Suely e sua filha Danielle faziam as compras, mas hoje existe um departamento muito bem estruturado, com vários compradores, assistentes, analistas, demanda e logística – quase 50 pessoas cuidam só deste departamento. O marketing antigamente era terceirizado e hoje existe uma estrutura interna muito forte. Contam com um excelente quadro administrativo e um departamento de RH, que cuida de aproximadamente 400 funcionários.

Atualmente, devido à alta concorrência no setor e com o objetivo de conseguirmos sempre o menor preço com boa qualidade, optamos em buscar alguns artigos de alto giro nas importações. Nossa equipe, juntamente com dois filhos, viaja anualmente para diversos países para acompanhar e selecionar as peças que serão importadas. Nossos clientes exigem qualidade e a Daju é grandemente reconhecida por oferecer sempre produtos de excelência por um preço justo. O público curitibano já tem um carinho pela marca e com certeza este carinho é recíproco.

O sonho que começou na sala de casa, com as crianças brincando em volta dos rolos de tecido, se tornou realidade, e hoje a Daju tem três lojas (Cabral, Barigui e Mega Daju Água Verde) e o Centro de Distribuição em Pinhais. Por ser um negócio familiar, dois pontos fizeram a diferença na administração do negócio: confiança e união. Os quatro filhos sempre estiveram presentes na empresa, acompanhando e participando do trabalho dos pais.

Em fevereiro do ano passado, a família foi abalada por uma triste notícia. Dona Suely foi diagnosticada com um tumor maligno na mama esquerda. Era inacreditável aquela notícia, pois ela dizia para si mesma que jamais seria atingida pelo câncer de mama, a mesma doença a que sua mãe não conseguiu resistir há mais de 30 anos. Dona Suely estava passando por um pesadelo do qual desesperadamente queria acordar. Câncer? Quimio? Perder os cabelos? Logo ela, que sempre se cuidou e fazia regularmente os exames. Foi no autoexame que notou algo diferente e procurou por um especialista. Após o diagnóstico, foram inúmeras visitas a diferentes oncologistas. Infelizmente, não tinha outra opção a não ser a cirurgia, seguida de tratamento quimioterápico ou vice-versa. Foi um choque para todos, a matriarca da família não podia fraquejar, ela não se permitia adoecer.

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A família foi um pilar importantíssimo durante o tratamento. Todos estavam à disposição para dar muito carinho a ela.

Muito indecisa, recebeu um ultimato do seu oncologista, dizendo que se fizesse a quimioterapia as chances de cura seriam de 95%. Poucos dias depois da quimio, Suely já tinha perdido todos os cabelos. Durante um ano, usou boinas e peruca, sempre lembrando de maquiar-se para manter
a autoestima.

A família foi um pilar importantíssimo durante o tratamento. Todos estavam à disposição para dar muito carinho a ela. A união familiar dava forças para dona Suely continuar com o tratamento tão agressivo e dispensar apoio psicológico. A equipe médica, amigos e parentes ficavam impressionados com a reação do tratamento, pois durante os seis meses de quimio nunca foi preciso uma internação. Ao terminar as sessões de quimioterapia, dona Suely teve mais um desafio pela frente: a cirurgia que não podia ser evitada. Ela adiou por alguns meses, pois não aceitava a mastectomia. Após um mês de reflexão em frente ao mar depois de muitas conversas e orientações com oncologistas e amigas que estavam enfrentando o mesmo problema, sentiu-se segura para realizar a mastectomia. Não queria correr o risco de passar novamente pelo tratamento quimioterápico e nem fazer radioterapia, até mesmo outro procedimento cirúrgico no futuro. Foi o que fez, retirou a mama esquerda e no mesmo momento já a reconstituiu.

Foi uma cirurgia muito difícil e dolorida. Passados 20 meses da descoberta do tumor e um longo período de tratamento, hoje ela passeia pela loja completamente curada do câncer e já podendo fazer uma bela escova nos cabelos. Atualmente, a mulher que se descobriu ser mais forte do que imaginava vê a vida com outra perspectiva.
Já não dá mais importância ao perfeccionismo exagerado e pequenas coisas, pois, para ela, o mais importante na vida é ter união familiar e amigos por perto para juntos celebrarem a vida. Todos os dias ela acorda e agradece a Deus por estar viva e poder estar juntos dos seus. Desde sua completa recuperação, não recusa nenhum convite para sair com as amigas. Desde então, participa de um grupo no WhatsaApp de amigas que conheceu na quimioterapia, para tomarem um café, trocar experiências e dar força umas às outras. Tem tempo para sentar no tapete e assistir desenho animado e brincar com a neta.

Dona Suely tem algumas dicas e recomendações para todas as mulheres. Ela diz para que não esperem até o mês de outubro chegar para lembrar da mama e fazer o autoexame. É preciso focar neste assunto nos doze meses do ano, porque a doença pode se fazer presente não só no mês de outubro. Outro ponto importante é não deixar de fazer os exames de imagem todos os anos e encaminhar os resultados logo para um especialista. Se o resultado der positivo, procurar por mais do que dois especialistas, para ouvir outras opiniões. É preciso também paciência e coragem para enfrentar o tratamento, e nunca desistir. Jamais deixe a vaidade de lado e todas as manhãs use maquiagem. Muito importante: quando alguém disser que vai orar por você, acredite, tenha fé e esperança. E para os maridos: façam como o meu, que sempre me elogiava, mesmo sem meus cabelos e levantava meu astral para encarar esta luta pela vida.

“Meus livros de cabeceira foram a Bíblia sagrada, Palavras de Jesus, Luz na Janela e  Encontrando a Alegria em Meio à Dor. “

Depois de muitos anos de trabalho, dificuldades vencidas, crescimento e lutas, dona Suely diminuiu o ritmo, que era muito acelerado. No início deste ano, criaram um conselho familiar, onde os assuntos relacionados à empresa são discutidos no momento certo, com hora marcada, na sala de reuniões, e não mais na mesa do jantar, como antigamente. Cada filho tem sua responsabilidade e “eles estão dando conta direitinho”, celebra orgulhosa.  “Eternamente grata a Deus que sempre me sustentou nesta minha caminhada. Agradeço a meu marido Robert, meus filhos e netinha, demais familiares, todos os funcionários da Daju e aos oncologistas e equipe, que me deram apoio e carinho durante a minha doença. Espero que a minha história, ajude você a encarar os desafios e as lutas da vida com fé e esperança de que você será vencedor.” 

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