Hortas Comunitárias

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A horta que brotou confraternização e cultura. 

Hortas comunitárias vêm se tornando uma prática cada vez mais comum nas grandes cidades, representam uma vantagem considerável no que diz respeito a limpeza e aproveitamento de terrenos. Além do mais, estes espaços comunitários podem criar hábitos mais saudáveis na mesa das famílias e gerar uma interação social. Quando o psicólogo Guilherme Moro teve a ideia de criar uma horta orgânica, o objetivo principal era justamente promover o relacionamento entre a vizinhança local, criar um espaço de convivência onde as pessoas pudessem se conhecer e trocar experiências.

Saiu em busca de um terreno para iniciar o plantio quando encontrou apoio no vizinho Leônidas Harger, que tinha planos de abrir uma oficina de bicicletas no terreno da família. A parceria tornou-se sociedade e hoje comandam juntos a Horta Bike Café, um ambiente muito charmoso e acolhedor, recheado com um cardápio vegetariano para carnívoro nenhum botar defeito. Os primeiros canteiros foram semeados em dezembro de 2015 em um mutirão entre amigos. No mês seguinte, a horta estava repleta de alfaces verdinhas que foram distribuídas para a vizinhança junto com um convite. “Fizemos a reunião com os vizinhos para explicar que a horta era para todos. As pessoas ficavam meio ressabiadas de entrarno terreno, não sabiam do que se tratava. Depois da reunião, os vizinhos começaram a frequentar, a colher e ajudar”, conta Moro.

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Para participar da horta, basta chegar e colher uma verdura fresquinha e a contribuição é doar o seu tempo para cuidar dela e também aproveitar para se relacionar com quem está ali.

“Nós nunca quisemos nada financeiro, porque a ideia não é vender o pé de alface que está plantado ali, e sim criar relacionamentos”, ressalta Guilherme. Para os sócios o efeito é muito maior quando as pessoas vão até a horta de 150m2 para colher algo e encontrar outras pessoas fazendo o mesmo depois de um longo dia de trabalho, por exemplo. “Se os vizinhos viessem aqui, pegassem a folha, jogassem uma moeda e fossem embora, perderia a essência do objetivo da nossa horta, que é o relacionamento”, completa o psicólogo.

A horta comunitária também foi cenário de atividades extras, como tai chi chuan e comemoração de aniversário. A receptividade foi tamanha que os sócios decidiram expandir. Além da oficina de bicicleta, resolveram abrir um café, mas sem perder o foco inicial da horta. “Ser mais humano com nossa comunidade, a arte e a cultura entram dentro disso como uma ferramenta para que a gente se expresse mais, e a arte é uma forma de expressão”, diz Moro.

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Com esse pensamento, os sócios juntaram tudo em um só lugar, oficina e loja de bicicleta, café com culinária vegetariana e vegana, consultório de psicologia e um espaço cultural que hoje conta com aulas regulares de tango, dança do ventre, tai chi chuan e yoga. O ambiente também oferece oficinas nas áreas artísticas e de saúde, como alimentação saudável, cultura oriental e assuntos ligados a questões filosóficas e psicológicas. A estrutura do ambiente foi construída a partir de contêineres, que ainda tem espaço para receber ciclistas viajantes.

O cardápio exclusivamente criado pela chef vegetariana Rossana Celis, oferece lanches, refeições e sobremesas com ingredientes fresquinhos retirados da horta. Cafés, sucos e chás também têm lugar especial no menu repleto de opções saudáveis e livre de álcool. E para aqueles que gostam de soltar a voz, a Horta Bike Café oferece um banquinho e um violão para cantarolar, declamar um poema ou tocar uma música. Quem deixa a timidez de lado ganha 10% de desconto. “A música é uma forma de integração intimista entre as pessoas. Nossa ideia é que todos possam interagir como se estivessem todos juntos em uma única casa”, completa Guilherme.

Serviço:

A Horta Bike Café

Rua Nicarágua, 1277 – Curitiba/PR

Facebook.com/ahortabikecafe

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